As Abordagens Disponíveis para a Determinação do valor econômico de ativos intangíveis

nº 008/21
17 de Novembro de 2021

A razão econômica de existência de qualquer empresa ou ativo é a geração de valor oriundo das receitas refletidas nos seus fluxos de caixa, sendo possível negociar esse ativo no mercado aberto.

Dessa forma, o valor econômico de uma empresa ou ativo depende basicamente de que o mesmo possa criar valor para seu proprietário, estimado através dos fluxos de caixa futuros gerados por essa empresa ou ativos trazidos à valor presente pela taxa de desconto (custo de capital médio ponderado) (WACC).

O valor da empresa proprietária desse ativo não se resume normalmente a seu valor contábil, pois as operações conjuntas desse ativo devem, na maioria dos casos, gerar um valor maior do que a venda desse ativo em separado no mercado.

Esse valor decorre do fluxo contínuo de resultados provenientes da continuidade das atividades da empresa (“going concern value”) proprietária desse ativo.
Disso, conclui — se que o valor de um ativo ou de uma empresa decorre da capacidade da empresa em gerar resultados futuros.

Deve, portanto, contemplar expectativas de resultados, e não apenas o acúmulo de investimentos passados.
O valor dos ativos intangíveis emerge do valor da empresa onde VI é igual ao valor econômico da empresa menos o valor dos ativos a valor contábil.
Apesar de terem sido desenvolvidas diversas metodologias de avaliação de empresas, que
permitem estimar e trabalhar com essas expectativas, os resultados serão sempre, em alguma medida, incertos e imprecisos.

Isto porque não se trata de fatos conhecidos, mas de expectativas sobre um comportamento futuro.

(*) Mario Sergio Cardim Neto – CNPI, Economista/Administrador de Empresas, Analista Financeiro

Quando se realiza a avaliação de uma empresa ou de ativos intangíveis, independente da metodologia utilizada, é importante ter em mente que qualquer atividade de mensuração econômica, está sujeito a erros.

A eficiência dos modelos de avaliação intrínseca de um investimento dependerá diretamente do nível de qualidade das informações recebidas, especialmente às relativas ao presente e da utilização efetiva desse ativo nas suas atividades.

Porém, as informações podem ser incompletas, os instrumentos de medidas podem ser imprecisos e os conceitos econômicos envolvidos podem ser de difícil interpretação ou aplicação.

As normas internacionais, para avaliação de ativos intangíveis estão definidas em IVS-210: Intangibles Assets, do International Valuation Standards Council – IVSC.
A nível nacional, estão sugeridas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 14.653 — Avaliação de Bens — 2012.

As diversas metodologias disponíveis costumam ser classificadas em:

1) Abordagem de Renda (Income Approach)
É considerada a métrica mais relevante e a mais utilizada, pois leva em consideração as atividades operacionais atuais e futuras do ativo intangível que está sendo avaliado.

Essa abordagem estima o valor justo de um ativo intangível baseado nos fluxos de caixa que esse ativo pode gerar durante a sua vida útil.
O método utilizado poderá ser:

  • Fluxos de caixa gerado pelo ativo em avaliação e valor residual trazidos a valor presente pelo WACC (custo de capital médio ponderado) mais conhecido como Fluxo de Caixa Descontado (FCD);

2 — Abordagem do Custo (“Cost Approach”)
Essa abordagem considera o custo de reprodução, reedição, substituição ou de reposição e da funcionalidade de um ativo intangível como o indicador do seu valor justo (Fair Value), mais provável.

Devem ser apurados tosos os custos que seriam incorridos para reproduzir aquele ativo, durante determinado tempo, à semelhança de ativo que se quer avaliar.

3 — Abordagem de Mercado (“Market Approach”) (Fair Market Value)
Essa abordagem estima o valor que os compradores e vendedores no mercado se disporão a negociar por um ativo comparável àquele que está sendo avaliado.

Para que esta abordagem seja utilizada, há pré-requisitos:

  • Um mercado aberto perfeito, público e ativo;
  • A negociação (compra e venda) entre compradores e vendedores dos ativos comparáveis, sem qualquer tipo de restrição ou impedimentos;
  • Descrição completa do ativo e seu pleno conhecimento de compradores e vendedores.

A escolha do método mais adequado para realizar a avaliação econômica do ativo depende:

  • Dos objetivos do trabalho e das exigências legais para se realizar essa avaliação;
  • Das características do ativo intangível que está sendo avaliado;
  • Dos dados e informações disponíveis sobre o ativo.

Podem ser testadas todas as abordagens com as informações que estejam disponíveis e informações necessárias, podendo ser utilizada a abordagem que seja a mais adequada.

O valor final estimado pode estar situado entre um intervalo de valores máximo e mínimo.

Referências Bibliográficas
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